Está tudo errado
- agenciabcnnewsrio
- 22 de ago. de 2022
- 2 min de leitura
Recentemente, uma página de notícias publicou uma foto de umas crianças que, segundo eles, seriam da favela Nova Holanda, zona norte do Rio, onde as mesmas estariam "brincando" com simulacros de armas e até mesmo armas de brinquedos pela comunidade.
A foto foi recebida com grande espanto, dado o aparato dos meninos com os armamentos de madeiras enrolados em fitas isolantes.
Mas a reflexão que eu tenho logo me veio a cabeça quando lembrei que vi a mesma cena, só que há quilômetros de distância da Nova Holanda.
A segunda foto eu fiz na barra da Tijuca, onde, mostra um grupo de quatro/cinco meninos, segurando armas de brinquedos nas mãos.
Era mais uma tarde de plantão na porta do condomínio do presidente Bolsonaro, na Barra da Tijuca e, com os olhos fixos no condomínio, a gente pode perceber o aparato do grupo de meninos que "patrulhavam" o condomínio com as armas nas mãos, apontando para as ruas do condomínio e chegando a "intimidar" a imprensa sentada na entrada do condomínio.
Mas, na grande maioria, a cena dos meninos foi despercebida e não causou espanto para quem passava e até mesmo pros jornalistas que lá estavam. Não pra mim, eu me espantei e fiz um série de registros fotográficos sobre.
Mas o debate em questão é sobre a visão preconceituosa usada nessas duas narrativas.
A primeira foto é considerada brutal, horripilante e grotesca, por mostrar meninos negros, de favelas, com armas de brinquedos e simulacros nas mãos.
Já a segunda foto não causou esse espanto, pois os meninos são brancos, moram em condomínio de área nobre onde também mora o presidente Bolsonaro, além de serem ricas.
Qual o fator crítico e qual o critério para julgar a ação da foto número um e não julgar a da foto número dois?
- Se você tivesse visto a cena da foto dos meninos brancos, você se espantaria? - E se assistisse a cena dos meninos da favela?
Por qual motivo?
A questão que eu penso é a mesma para as ambas situações, tanto que eu registrei a foto dos meninos brancos com olhar de espanto.
Em meio ao governo que prioriza o corte de verbas em investimentos em educação, mas que beneficia a indústria das armas, facilitando o porte e aquisição de armas para milhares, cenas onde crianças usam armas para brincarem, não pode ser tratada como comum.
Ou só é comum se as mesmas forem brancas de classe média/alta.
Não podemos usar desses atributos para legitimar esse tipo de comportamento.
A criança que cresce sob influência das armas, de brinquedo ou não, morando em favelas, vai ter o mesmo pensamento que as crianças que moram em áreas nobres e que são influenciadas a tal coisa.
Devemos investir nas crianças, na educação, cultura e no social. As duas cenas estão erradas e não deveriam serem influenciadas.
É livrar as crianças das armas, já que as crianças das favelas vivem sob domínio delas diariamente, seja do tráfico ou da polícia quando entra nas favelas.
Mas as crianças ricas, brancas e de áreas nobres, não tem esse sofrimento das influências das armas. Não correm o risco de uma bala perdida ou de serem presas por brincarem com simulacros.
Talvez, seja por isso que pra elas, brincar com armas deste tipo é divertido, normal e "bonitinho".
Tá tudo errado.




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