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As vezes...

  • agenciabcnnewsrio
  • 22 de ago. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 3 de jun. de 2025

As vezes minha profissão faz eu ficar mais perto da realidade que tanto destrói famílias pelo país.

Tenho anos de profissão, sou um profissional que já viu e cobriu tudo que é notícia nesse país. Mas nunca vou me conformar com a dor de um pai/mãe que enterra seu filho vítima de uma morte prematura, assassinado.


Uma criança de doze anos que teve seu direito de viver cessado, sem direito a escolha. E isso acontece há anos em diversas partes do nosso país.


A minha dor maior, como profissional, é saber que enterro como o de hoje, do pequeno Leônidas, não terá fim, enquanto o estado for omisso e em certa parte culpado por todas essas mortes.

Como pessoa, minha dor maior é saber que a violência no Rio está cada vez maior e que eu, você ou alguém que conhecemos, pode ser a próxima vítima.


Como seria se a morte fosse de alguma criança de área nobre, filho de alguém com poder, político, rico, na zona sul do estado, como o país estaria agora?


Estariam fazendo marchas, passeatas ou até mesmo notas dos mais altos poderes do país, cobrando justiça e investigações rápidas a fim de dar uma resposta a sociedade.


Mas será assim com Leônidas?

Que vida é essa que passamos cada dia com medo de como vai ser o fim?


Sem saber se podemos ter um fim lindo e belo, como dos filmes ou das belas histórias dos livros de romance.


É essa sensação que o estado criou em nossas vidas e que passará para as vidas dos meus filhos, netos, bisnetos, seguindo gerações, se isso não ter fim?


Até quando o país vai ver uma criança de doze anos morta por um tiro e nada ser resolvido?

Você se chocou com a morte do Leônidas?

Dá Aghata? Do João Pedro? Maria Eduarda? Do Eduardo de Jesus Pereira?

A lista não tem fim...


Vamos esperar sermos um dos nossos os próximos da lista?

Até quando?


Cemitério de Inhauma - Rio de Janeiro

Foto: Betinho Casas Novas


 
 
 

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