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A gente sempre tenta...

  • agenciabcnnewsrio
  • 22 de ago. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 3 de jun. de 2025

A gente sempre tenta realizar os pedidos feitos na noite da virada do ano.

Algumas pessoas pedem saúde; outras, dinheiro, crescimento profissional, um carro novo ou a tão sonhada casa própria.


Mas o que pede uma criança de cinco anos de idade? Raramente paramos para perceber isso.

E o que viveu uma criança de cinco anos para que ela tenha pedidos e desejos? Quase nada. Ainda não viveu. Nada!


Isso porque ela ainda viverá muito — e terá muitos outros finais de ano para sonhar e desejar.

Infelizmente, esse não foi o caso da pequena Alice Pamplona da Silva, de apenas cinco anos.


Alice teve interrompido, precocemente, o desejo mais comum e mais sagrado do mundo: viver.


O direito de viver de Alice foi retirado justamente na noite em que milhares de desejos são lançados ao céu. Na noite em que, em clima de festa, o maior desejo se realiza: estar com quem se ama, reunido, feliz, celebrando…


Alice não teve tempo de desejar nada. Foi ceifada cedo demais, sem direitos, sem escolha.

Entrou para as estatísticas como a primeira vítima da violência em mais um ano. Sua morte representa a dor de tantas famílias que também perderam vidas para essa violência cravada nas estruturas do nosso país.


Alice mostrou a todos — cariocas e brasileiros — que, agora, um novo desejo ecoa a cada virada de ano, a cada aniversário, a cada data especial: viver mais um pouquinho.

Esse é o desejo de milhares de cariocas que sobrevivem à guerra diária — seja a do Estado, do crime organizado, ou da violência em si.


E parece que ninguém mais se importa com nossas vidas — nem com a vida dos nossos pequenos — como a de Alice, que não teve nem chance de se proteger ou se defender.

Brutalmente assassinada. Sem sequer poder desejar seus pequenos sonhos.

E o mais cruel é saber que a dor da sua morte se sobrepõe à dor anterior — a de outra criança, de outra vítima, morta antes dela.


E, mais adiante, Alice deixará de ser lembrada pela sociedade. Porque essa mesma sociedade estará ocupada sentindo a dor por outra vítima recente da mesma violência.

Precisamos agir além de apenas sentir dor por essas perdas.


Precisamos cobrar, lutar e frear essa violência, antes que não haja mais desejos a serem feitos.

Basta.


Quantos mais vão ter que morrer, pra essa guerra acabar. (Marielle Franco)


 
 
 

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